Veneno do Mar



Cabelos negros iguais ao ébano, olhos penetrantes que cegavam  aos homens que a notava , um corpo que alucinava aos viajantes e uma voz tão encantadora que pervertia os mais inocentes.

Era ela que riscava o asfalto com teu salto agulha, que era o mistério desde da calada da noite ao nascer do sol, todos tentavam se aproximar mas eram poucos que conseguiam conquista-lá. Ela fervia como brasa quando dançava e permitia novamente voltar a ser criança.

Usava uma sombra preta que combinava perfeitamente com seus profundos olhos verdes, e tatuagens que cobriam toda a tua pele alva que nem a neve, eram as tuas proteções.


A tua beleza fazia uma orquestra perfeita com a tua loucura, quem já conseguiu a tua companhia, jamais voltou ao mundo real e se perdeu no teu mais belo e não tão doce encanto.


A garota já foi muito magoada, por isso hoje dilacera os mais insanos corações, o tempo era o teu melhor amigo, e ela saia e chegava a hora que queria.


A garota era o drinque forte que esquentava a garganta, o batom escuro que matava os mais doces lábios, o gatilho pronto para matar e morrer.

Ela era a morte, o mais lento veneno, vinha a terra para amar e voltava ao mar para matar.




Ainda é cedo



Esse texto não é sobre um amor puro, sobre uma paixão ou sobre sexo, ou talvez,  seja, mas pelo meu melhor caso, meu maior prazer e o meu pior pesadelo.

Em um sábado de tarde a encontrei, estava sozinho e ela também, foi inevitável, paixão a primeira vista, eu necessitava da tua presença como a dela precisava da minha, completávamos um ao outro e isso era o melhor para eu viver, aquele relacionamento era o que me curava mas também o que me destruia.


Alguns meses junto com ela, aprendi o que nunca imaginaria, me fez amar, odiar, viciar. E me tornar escravo somente dela, a minha rainha, mas que também me fazia sentir em um eterno reinado,  algo que ninguém, nunca me fez sentir.

Ela traçava junto a mim um futuro inexistente, eu,  só queria aproveitar o presente pois só ao teu lado eu me sentia vivo.


As situações que quase nos fizeram separar foram muitas, mas, estávamos perdidos e sozinhos, se distanciar não seria a melhor solução pois ainda era cedo para me manter longe, no entanto em um súbito de força consegui dizer o  nosso ultimo adeus, mas com dor sussurrava:



'' Ainda é cedo minha amada cocaína, ainda é cedo para me manter afastado.''


Foto Divulgação

Querido Deus

Minha visão ainda estava turva, minha voz ainda balbuciava o nome dela centenas de vezes, era dez da noite do dia vinte e dois de setembro e  eu ainda podia sentir tua pele tocar na minha, entre alguns pensamentos confusos, tomava mais um gole, eram tantos que já havia perdido o gosto, a estrada estava vazia e eu ouvia na rádio aquela nossa canção, de repente, não sinto mais nada, a nossa música foi trocada por gritos, eu podia sentir a minha morte, sim, eu estava morrendo, estava partindo sem ao menos dizer que a amava, tudo era tão confuso, só queria está perto dela e abraça-lá para dizer que tudo ia passar.

Onde tudo era escuridão, se transformou em alguns segundos de claridade infinita, onde eu estava? Esse era o gosto da morte? Mas ainda podia sentir meu coração vivo e que ainda pulsava por aquela garota, estava vislumbrado, aquilo era tudo que eu havia perdido, a paz me acariciava, mas sem ela ali, tudo era tão vazio e solitário que se perdia o valor.

Querido Deus, sei que está por aqui,  agora mais do que nunca posso te sentir, desculpe-me não ir as igrejas todos os domingos e me embriagar até o álcool virar a minha morte , mas peço que agora que estou sem ela , cuide da minha garota, sempre estive presente ao lado dela , mas nunca pude perceber o real significado disso, mas agora no meu túmulo posso sentir a dor de não te-la, por isso peço não me de vida eterna, se possível mate-me novamente para que somente assim você possa cuida- lá.

Queria poder voltar a sussurrar  no ouvido dela juras de amor, mas agora não posso... Estou entre fantasmas que calam minha voz, estou sentindo frio e tudo que queria agora era aquele acalento que só ela possuía, pois não há ninguém aqui que irá me entender quando eu precisar gritar, alias, será que todos por aqui morreram de amor? Não, não como eu, mas agora nada posso fazer além de me lembrar.

Querido Deus, não posso gritar então, por favor, me escute, sinta o que peço pois é simples,  cuide dela como eu não pude cuidar, de atenção que nunca pude dá, pois estava engajado em pensamentos egoístas que me trouxeram até aqui, em uma estrada solitária que antes de mim, matou minha esperança.

Só peço que cuide dela.







.

Clarice

O beco escondido era iluminado apenas com um pôster, Clarice e Rodrigo se camuflavam dentro da escuridão, se afastando da lâmpada que insistia em piscar, levava aos lábios o mais lento veneno e o mais doce sabor da vingança da solidão, o que parecia mistério e o negro céu estrelado foi transformado na falsa solução transmitida em luzes vermelhas e azuis.

Clarice, ainda um pouco consciente deu um longo beijo na bochecha do seu parceiro e partiu, correu até um horizonte qualquer e voltou para mais louca arcana, enquanto Rodrigo, talvez pela sua alucinação permaneceu estático e foi internado em uma clinica qualquer que prometia uma longa estadia:  sem sonhos, sem amigos, sem lembranças, sem Clarice.

Enquanto isso no mundo real, o sol surgia denunciando os olhos vermelhos da garota, que ainda corria, agora em direção ao seu lar, se trancando  em teu banheiro e pegando  no teu bolso o teu velho canivete que agora, sem o teu menino se transformava em sua única companhia, ela cantarolava uma velha canção e no teu corpo fazia pequenas marcas que as dava algum tipo de energia e revigoração  para aguentar mais um dia, como que,  seus tornozelos sangrando fizesse a amnésia do  seus problemas, aqueles cortes entendiam a dor que mais ninguém, além  dela sentia, afinal, os poucos que entendiam, partiram, seja Rodrigo ou sua amiga que virou mais um número nos casos de homicídios do pais.

Enquanto se dirigia aos seus forçados deveres e caminhava a dolorosa ’ vida feliz’’ rendia olhares de vulgos bons samaritanos  que anulavam as suas próprias dores para julgar a dos outros.
 Mas,  Clarice sabia que quem a entendia eram seus calmantes e antidepressivos que já haviam perdido o efeito e tinha gosto da morte.

Enquanto ela se perdia na sua própria loucura, o mundo continuava o mesmo, o medo e a violência continuavam presentes em homens que sussurravam coisas indecentes  pelo caminho que a rodiava,o
 futuro era inexistente,  pois já havia destruído com a maldade que a cercava.


E Clarice voltava ao beco, sozinha, estava livre, mas presa ao mesmo tempo, trancada como se fosse pássaro em uma gaiola, mas um dia ela iria voar e Rodrigo  iria encontrar, porque eles ainda tinha 14 anos e muito tempo para sonhar.