Clarice

O beco escondido era iluminado apenas com um pôster, Clarice e Rodrigo se camuflavam dentro da escuridão, se afastando da lâmpada que insistia em piscar, levava aos lábios o mais lento veneno e o mais doce sabor da vingança da solidão, o que parecia mistério e o negro céu estrelado foi transformado na falsa solução transmitida em luzes vermelhas e azuis.

Clarice, ainda um pouco consciente deu um longo beijo na bochecha do seu parceiro e partiu, correu até um horizonte qualquer e voltou para mais louca arcana, enquanto Rodrigo, talvez pela sua alucinação permaneceu estático e foi internado em uma clinica qualquer que prometia uma longa estadia:  sem sonhos, sem amigos, sem lembranças, sem Clarice.

Enquanto isso no mundo real, o sol surgia denunciando os olhos vermelhos da garota, que ainda corria, agora em direção ao seu lar, se trancando  em teu banheiro e pegando  no teu bolso o teu velho canivete que agora, sem o teu menino se transformava em sua única companhia, ela cantarolava uma velha canção e no teu corpo fazia pequenas marcas que as dava algum tipo de energia e revigoração  para aguentar mais um dia, como que,  seus tornozelos sangrando fizesse a amnésia do  seus problemas, aqueles cortes entendiam a dor que mais ninguém, além  dela sentia, afinal, os poucos que entendiam, partiram, seja Rodrigo ou sua amiga que virou mais um número nos casos de homicídios do pais.

Enquanto se dirigia aos seus forçados deveres e caminhava a dolorosa ’ vida feliz’’ rendia olhares de vulgos bons samaritanos  que anulavam as suas próprias dores para julgar a dos outros.
 Mas,  Clarice sabia que quem a entendia eram seus calmantes e antidepressivos que já haviam perdido o efeito e tinha gosto da morte.

Enquanto ela se perdia na sua própria loucura, o mundo continuava o mesmo, o medo e a violência continuavam presentes em homens que sussurravam coisas indecentes  pelo caminho que a rodiava,o
 futuro era inexistente,  pois já havia destruído com a maldade que a cercava.


E Clarice voltava ao beco, sozinha, estava livre, mas presa ao mesmo tempo, trancada como se fosse pássaro em uma gaiola, mas um dia ela iria voar e Rodrigo  iria encontrar, porque eles ainda tinha 14 anos e muito tempo para sonhar.  



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